A exposição "Marlene Barros: Tecituras do Feminino" conta com esculturas e obras em crochê e bordado, que nos convidam a refletir sobre a desvalorização histórica das mulheres, bem como as dores cotidianas sofridas por elas.
O aspecto que mais me chamou a atenção na exposição foi o contraste entre a neutralidade do bege e o escândalo do vermelho. Este recurso transmite a sensação de alerta, sangue, dor, urgência, o que pode ser relacionado com a violência, invisibilização e estigmatização que as mulheres estão submetidas todos os dias.
Ademais, também considero pertinente destacar a instalação "Eu tenho a tua cara", que representa rostos de várias mulheres sobrepostos, costurados uns sobre os outros. Essa instalação foi profundamente perturbadora para mim, uma vez que a sobreposição de olhos e bocas de outras mulheres gera grande estranheza. Tal perplexidade se deve ao fato de que a ideia de costurar rostos parece muito violenta, sugerindo que todas aquelas mulheres são forçadas a viver na pele umas das outras, estando fadadas a vivenciar as mesmas infelicidades, num ciclo histórico aparentemente sem fim.
Outra instalação que também instiga desconforto é a que retrata órgãos pendurados. Assim como a instalação que citei anteriormente, essa também transmite a ideia de violência, devido ao fato de que há uma teia com órgãos pendurados, como se fossem presas capturadas por um predador. Adicionalmente, visualizar órgãos fora de um corpo também não é uma experiência convencional, incomodando os espectadores. Acredito que essa instalação expressa a vulnerabilidade das mulheres diante da sociedade contemporânea, que menospreza as intimidades e dores mais profundas desse grupo - representadas pelos órgãos.
Ao final da exposição, há uma oficina de crochê e bordado, que permite que os visitantes interajam, de certa forma, com a exposição. Considero essa parte extremamente relevante, dado que estimula os visitantes a refletirem sobre o que foi visto nas instalações ao mesmo tempo em que oferece atividades para distração.
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