Lições de Arquitetura - Primeiras impressões


 O livro "Lições de Arquitetura" foi escrito por Herman Hertzberger, em 1996. Desenvolveremos atividades sobre essa obra na disciplina de AIA. Até o momento, li o prefácio e a introdução das partes A, B e C do livro. Esse primeiro contato me trouxe algumas reflexões sobre o processo criativo e o papel do arquiteto. 


Primeiramente, o ponto que mais me chamou atenção na leitura foi a maneira como ela aborda a inspiração que se utiliza na criação. Para desenvolver essa ideia, gostaria de convidar o leitor a refletir sobre o processo de desenvolver algo novo. Eu acredito que tudo que é criado pelo ser humano faz referência a algo já existente. Como exemplo disso, gostaria de trazer seguinte citação de Antoine Lavoisier: "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Essa frase ilustra que o mundo é constituído por mudanças constantes, mas nada "novo" é acrescentado, as coisas existentes são apenas transformadas. Assim, também, é a arquitetura: um projeto inédito é sempre composto por objetos que já existem - que são utilizados como referência - mas que foram entrelaçados. Sendo assim, acredito que as novas criações são apenas novas combinações possíveis de elementos que sempre estiveram presentes.


Esse conjunto de elementos pré-existentes, por sua vez, se trata de outro conceito abordado no livro: a estrutura. Existe um número finito de elementos na natureza, mas que podem ser combinados de infintas maneiras. Desse modo, os componentes individuais na natureza são limitados - isto é, uma estrutura pré-definida. Contudo, paradoxalmente, essa limitação permite liberdade de criação, na medida em que todos os dias alguém pode combinar os objetos de uma maneira diferente. Proporcionalmente, quem conhece mais elementos, tem mais liberdade de criação, pois há mais possibilidades de combinação. 


Dessa forma, quanto mais cultura se consome, mais repertório poderá ser utilizado para a criação. A título de exemplo, destaco o jogo de xadrez, que foi citado na obra. As regras desse jogo e o número de peças foram previamente delimitados, porém, existem infinitas partidas possíveis. Além disso, o jogador mais experiente é capaz de desenvolver mais conjuntos de jogadas do que um jogador iniciante, o que se deve ao repertório de cada um deles. 


Considerando os aspectos supracitados, é possível definir o papel do arquiteto: a partir do conhecimento que ele possui dos elementos existentes no mundo, deve selecionar algumas de suas refêrencias e combiná-las, com o objetivo de criar algo inédito, que beneficie o ser humano. Nesse sentido, essa profissão exige pesquisas e análises constantes, visto que o repertório cultural é fundamental, mas o profissional também deve saber ponderar e selecionar os elementos, de modo que os espaços criados considerem a confluência, presente na sociedade, entre individual e coletivo.

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